• Carlos do Carmo : - « Lisboa, menina e moça » - « Os putos »

    Lisboa Menina e Moça


    No castelo, ponho um cotovelo
    Em Alfama, descanso o olhar
    E assim desfaz-se o novelo
    De azul e mar
    À ribeira encosto a cabeça
    A almofada, na cama do Tejo
    Com lençóis bordados à pressa
    Na cambraia de um beijo

    Lisboa menina e moça, menina
    Da luz que meus olhos vêem tão pura
    Teus seios são as colinas, varina
    Pregão que me traz à porta, ternura
    Cidade a ponto luz bordada
    Toalha à beira mar estendida
    Lisboa menina e moça, amada
    Cidade mulher da minha vida

    No terreiro eu passo por ti
    Mas da graça eu vejo-te nua
    Quando um pombo te olha, sorri
    És mulher da rua
    E no bairro mais alto do sonho
    Ponho o fado que soube inventar
    Aguardente de vida e medronho
    Que me faz cantar

    Lisboa menina e moça, menina
    Da luz que meus olhos vêem tão pura
    Teus seios são as colinas, varina
    Pregão que me traz à porta, ternura
    Cidade a ponto luz bordada
    Toalha à beira mar estendida
    Lisboa menina e moça, amada
    Cidade mulher da minha vida

    Lisboa no meu amor, deitada
    Cidade por minhas mãos despida
    Lisboa menina e moça, amada
    Cidade mulher da minha vida.

     

     

    Os Putos

    Uma bola de pano, num charco
    Um sorriso traquina, um chuto
    Na ladeira a correr, um arco
    O céu no olhar, dum puto.

    Uma fisga que atira ,a esperança
    Um pardal de calções, astuto
    E a força de ser, criança
    Contra a força dum chui, que é bruto.

    Parecem bandos de pardais à solta
    Os putos, os putos
    São como índios, capitães da malta
    Os putos, os putos
    Mas quando a tarde cai
    Vai-se a revolta
    Sentam-se ao colo do pai
    É a ternura que volta
    E ouvem-no a falar do homem novo
    São os putos deste povo
    A aprenderem a ser homens.

    As caricas brilhando ,na mão
    A vontade que salta ,ao eixo
    Um puto que diz ,que não
    Se a porrada vier, não deixo

    Um berlinde abafado ,na escola
    Um pião na algibeira ,sem cor
    Um puto que pede ,esmola
    Porque a fome lhe abafa ,a dor.

    Parecem bandos de pardais à solta
    Os putos, os putos
    São como índios, capitães da malta
    Os putos, os putos
    Mas quando a tarde cai
    Vai-se a revolta
    Sentam-se ao colo do pai
    É a ternura que volta
    E ouvem-no a falar do homem novo
    São os putos deste povo
    A aprenderem a ser homens

    Mas quando a tarde cai
    Vai-se a revolta
    Sentam-se ao colo do pai
    É a ternura que volta
    E ouvem-no a falar do homem novo
    São os putos deste povo
    A aprenderem a ser homens.


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